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domingo, 10 de maio de 2015

Fuso alterado



Daí que aquele antigo projeto de passar um tempo fora do País finalmente se concretizou. A pessoa sai de casa pra morar sozinha pela primeira vez na vida e decide ir logo para um fuso de 13 horas na frente, que é pro jet lag ser bem gostoso.

Pois então, Sydney será meu novo lar pelos próximos cinco meses. Não é nada, e é tempo pra caramba.

Mas, outro dia eu falo do "tempo", que é um dos meus assuntos preferidos e pode render muita divagação. O objetivo deste post é tentar não dormir antes das 20h e obrigar meu organismo a se acostumar com a nova brincadeira. Além de lançar o desafio "true or false".

O bom e velho "V ou F". Aquelas questões que a gente adora se a prova é de História, porque isso significa uma resposta  discursiva a menos, e odeia se a prova é de Físca, porque, geralmente, para julgar, tem que fazer conta do mesmo jeito.

Por " a gente" entenda-se pessoas comuns, com QI padrão que acham insano fazer três páginas de cálculos pra responder uma ÚNICA questão

Nas provas de Inglês o " true or false" pode ser bom ou ruim: bom se a questão é interpretativa e ruim se é de "listening" - sempre fui péssima no "listening" e chutava tudo.

Continuo chutando. Hoje na estação de trem o moço que estava recolhendo o lixo falou alguma coisa comigo. Não entendi nada. Como ele estava sorrindo, acho que disse algo simpático. Perguntou se eu precisava de ajuda ou algo assim - eu acho.

Sorri de volta.

No, thanks! I'm just waiting for a friend

Chutei.

Na vida a gente vive chutando quando a questão é de "verdadeiro ou falso". Não dá pra ter muita certeza. Ou chuta, ou deixa em branco.

Ultimamente, prefiro chutar

E, como foi criada muita expectativa com esse meu "chute" para a Austrália, resolvi atendê-las, ainda que, as vezes, de mentirinha.

Eu conto a história. Se é "true or false", vocês decidem. E chutam. Ou deixam em branco. Depois sai o gabarito oficial.

Ou não





terça-feira, 28 de abril de 2015

Luz, câmera, AÇÃO

Eu gosto de filmes. Ponto.
Tenho preferência por alguns gêneros e antipatia por outros, mas vejo tudo.
Tá, tudo não. Tem alguns que não dá mesmo. Mas, são poucas as recusas.
Até porque, uma pessoa que compra Calígula achando que vai ver um filme histórico (em minha defesa, digo que não deixa de ser um retrato “quente” da História) não pode ser acusada de não ser, pelo menos, curiosa.

Na verdade, uma pessoa que compra Calígula com tanta naturalidade só pode estar enganada mesmo. E sim, eu tenho vergonha desse episódio.

Mas, deixando os imperadores romanos libidinosos de lado, o fato é que esse amor por cinema as vezes me faz refletir se o filme mais louco de todos não é o nosso. Porque sempre tem uns momentos na vida que eu paro e penso: e se isso aqui fosse um filme?

Por exemplo, se neste exato momento isso fosse um filme, eu estaria belíssima, escrevendo algo genial num nootbook da marca do patrocinador, com uma luz incrível para disfarçar as marcas de espinha do rosto, e receberia um whatsapp que me deixaria atordoada (para o bem ou para o mal). Aí, eu não conseguiria mais escrever, levantaria diva e...

Corta para a próxima cena!

Mas, na verdade eu estou descabelada, escrevendo no notebook do meu pai, porque o meu morreu, ouvindo Criolo (pensando no que eu faço com esse meu amor por ele) e refletindo sobre os vários minifilmes que acontecem na vida. Pode chegar o whatsapp que for e nada vai mudar o fato de que eu perciso ir trabalhar em algumas horas - sem glamour.

Se eu dirigisse o meu filme, algumas cenas teriam um desfecho diferente

Sabe aquele poder de gritar “corta!”, todo mundo pára, refaz a marcação e recomeça? Então, eu queria isso em alguns momentos.

Tenho falas prontas para várias ocasiões e para vários personagens. Mas, não dirijo a vida de ninguém. Nem a minha.

Porque, na verdade, as melhores falas vêm depois que o momento passou. Aí, não dá para gritar “corta!” e pedir para rodar de novo “porque agora eu sei exatamente o que falar!” – e sei também o que você precisa responder para dar sequência à cena que eu criei na minha cabeça.

Quer um exemplo?

No meu filme, o Criolo se apaixonaria por mim.

Tá, esse é o ápice do devaneio de uma mulher que passou a adolescência assistindo a comédias românticas hollywoodianas – somente por esse último fato Criolo já me desprezaria.

Mas, também crio filmes mais reais, mais baratos, mais tangíveis. Privilegiando o plano detalhe, filmando tudo com uma câmera – duas, no máximo: a minha e a sua. Trilha sonora brasileira, diálogos rápidos, falas curtas, decisivas.

O problema é que você não tem o meu roteiro. Não sabe as suas falas, não reconhece as minhas deixas, e sai de cena antes de terminar a gravação – sempre antes de terminar a gravação!

Aí, parece que o filme acaba sem final. Fica aquela expectativa da continuação. Quando será que estreia a sequência?

E vai ter sequência?

Às vezes, o filme é um fracasso de público e, mesmo sem uma desfecho conclusivo, cancelam a “parte dois”. Às vezes, os atores morrem – ou se mudam – e não dá tempo de filmar a continuação. Mas, claro, atores podem ser substituídos.

E a gente vive substituindo personagens nos nossos minifilmes. Até porque, as vezes o ator nem sabe que está fazendo parte do nosso roteiro. Ou até sabe, mas não imagina que ganhou um dos papéis principais – e continua atuando como figurante, e errando as falas, e indo embora antes da cena terminar.

Desconfio que, nesses casos, a culpa é do diretor. Woody Allen jamais deixaria isso acontecer. Por isso, talvez, eu seja meio incompetente como diretora. Mas, garanto que os meus roteiros são ótimos – o problema (?) é que a vida não faz muita questão de segui-los.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Plágio sem sentido

Tem horas que dá vontade de escrever uma música
Mas, nunca consegui compor nenhuma canção
Também nunca tentei
Acho melhor escrever sem o compromisso do sentido
E as músicas precisam fazer sentido
Pelo menos para quem escreve
Ou não?

E já tem ótimas músicas que representam um pouco de tudo agora
Se juntasse algumas estrofes, sem o compromisso do sentido
Lenine, Caetano, Ramalhão, Marisa e Simonal fariam parte do meu plágio
Porque, no momento, tenho sentido saudades do que não foi
Lembrando até do que eu não vivi, pensando em nós dois
Nós dois quem?

É que o tempo deixa tudo muito grande, ou muito pequeno
E como falta pouco tempo para o tempo acabar
Faço uma oração: peço o prazer legítimo e o movimento preciso
Tempo, tempo, tempo, tempo
Quando o tempo for propício
Quanto tempo a gente tem?

Como é fácil se perder tentando achar respostas
Tem fases em que eu desisto de perguntar
Prossigo cantando, beijando o espaço
E além do cabelo que desembaraço
Invoco as águas para inundar o pensamento
E lavar pessoas e coisas que vão se arrastando
Por que tão arrastado?

Até que chega aquele momento
Que o barulhinho que o tempo faz no peito pede para ser ouvido
A gente decide fazer a dor dançar
E prestar atenção para escutar o que quer saber de verdade
A verdade dói?

Aí, suspende a vida real
Procura novas perguntas
Paga pra ver
Pede emprestado alguns versos famosos
E sacudim, sacundá, sacundim, gundim, gundá
Mesmo que não faça nenhum sentido
Entende?



domingo, 5 de abril de 2015

O valor da notícia

Um ataque terrorista matou 12 franceses no início do ano, em Paris.
Chefes de Estado do mundo todo se pronunciaram repudiando o ato. Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, se pronunciou no mesmo dia condenando o ataque contra a Charlie Hebdo. A imprensa do mundo todo cumpriu seu papel e informou quem, quando, onde, como e porque.

Dias depois, milhões de europeus estavam mobilizados nas ruas da Cidade Luz pedindo justiça e paz.

Tá certo! Não dá para admitir a banalização da vida!

Na semana seguinte, um ataque do Boko Haram deixou 2 mil mortos na cidade de Baga, na Nigéria.

...
...
...

Onde fica Baga?
O que é Boko Haram?

Um avião com destino à Alemanha caiu nos Alpes franceses deixando todas as 150 pessoas a bordo mortas.
Em questão de horas, jornalistas de todas as partes do mundo estavam em Meolans-Revel, o vilarejo remoto no sul da França onde o avião caiu, para ter acesso direto às informações e fazer a cobertura do caso da forma mais completa possível.

Falem com os moradores!
Procurem as famílias!
Acompanhem a rotina dos peritos!

Tá certo! Foi uma tragédia. Acidentes aéreos causam comoção geral e é preciso investigar as causas.

Na semana seguinte, um ataque do al-Shabaab em uma universidade de Nairóbi deixou 148 pessoas mortas – de acordo com números oficiais. 
Ban Ki-moon, o secretário-geral da ONU, mandou seu porta-voz dizer: espera que a situação seja resolvida sem maiores danos.
O grupo que assume os ataque garante que matou mais de 200 pessoas – alguns corpos, por algum motivo, não estão sendo contabilizados na contagem oficial. É
 isso?

...
...
...

Não sei. Não vi nenhum jornalista embarcando pro Quênia para ter acesso direto às informações. Nem conversando com as famílias. Nem com os moradores da cidade. Nem com ninguém.

É tudo uma questão de valor-notícia.

É tudo uma questão de valor-pessoa.


sábado, 4 de abril de 2015

Troca

Tudo nessa vida é troca

Troca de olhares
Troca de ofensas
Troca de saliva
Troca

Energia
Conhecimento
Elétrons
Calor

Troca de telefone
Troca de email
Troca de likes
Curte e segue de volta

Troca

Namorado
Figurinha
Perfume
Calcinha

Troca mensagem
Troca dinheiro
Troca amor
Troca segredos
Só aqueles que podem ser descobertos

Troca de canal
Troca de marcha
Troca de pneu
Troca de faixa
E nem liga a seta

Troca
E nem avisa
E o trocado?
Como fica?

Troca

domingo, 12 de janeiro de 2014

O amor a um clique (?)

Eu não entendo muito bem a diferença entre as gerações x, y e z. Nem sei a qual delas eu pertenço. Sei apenas que a minha geração, e as próximas, tem que ter muito foco para não sucumbir às delícias e armadilhas dessa tecnologia maravilhosa.

Está tudo a um clique: a receita do bolo integral de banana, o telefone da academia, o endereço da loja de produtos sem glúten, a sua série preferida, o tele-entrega da pizza para os dias de TPM, as fotos das férias da sua grande amiga que você não vê há anos, as fotos do namorado da sua rival da sétima série que você também não vê há anos...

Tudo na nossa frente. A gente não precisa nem sair da cadeira para saber tudo o que se passa no resto do mundo. E, se precisar levantar pra, sei lá, ir trabalhar, pode levar o mundo com você, na palma da sua mão (sim, às vezes os clichês são necessários).

Para qualquer dúvida, temos o google. Foi-se o tempo em que a gente parava no posto de gasolina pra pedir informação sobre como chegar à chácara do amigo que vai dar o churrasco de domingo. Temos o maps, temos o waze, temo o whatsapp. (Ainda assim, quero defender aqui as pessoas desorientadas que ainda precisam da ajuda do frentista, como eu).

Precisa de um táxi? A internet te dá (em Brasília nem sempre funciona, mas a capital é um caso à parte)! Precisa de um pet shop? Internet! Ouviu uma música na balada e PRECISA saber o nome da banda? Dois cliques resolvem seu problema. Com três, você aprende a letra e sabe até com quem os músicos estão casados.

Quer um abraço ou um beijo? A interne... ops! A internet resolve?

Até pouco tempo não. Mas aí criaram o tinder! Pronto! Até o amor está a um clique! Ou melhor, a um coraçãozinho verde!

Tudo bem... na maioria das vezes o amor dura uma semana no whatsapp e uma noite divertida. Ou não.

“Ah! Mais a minha amiga encontrou o amor da vida no tinder”. 

Ótimo. As exceções estão aí para confirmar a regra. O tinder é uma válvula de escape para pessoas que não sabem mais onde procurar o que elas não acham na internet. Tipo o amor.

Remédio pra cólica, pra dor de cabeça, pra ressaca ou pra piriri a gente encontra na internet. Liga pra farmácia e rapidinho chega. Mas, e remédio pra carência? Onde encontra?

No tinder!

Dá uma olhada no cardápio, escolhe aquele que mais te agrada, por meio de uma analisada rápida nos interesses e amigos em comum, e escolhe. Escolhe um, dois, três, 15! Até que... match! Um dos 15 que você curtiu também curtiu você – e provavelmente outras 15.

Se o papo for bom, rapidamente o novo casal marca um encontro e é isso! A carência da semana está resolvida! Qualquer coisa, outros matches virão!

É tudo muito rápido! Curtiu, marcou, combinou, encontrou, beijo, tchau! Próximo!

A palavra dessas gerações – x, y ou z – é velocidade! Tudo agora! De imediato.

Porque se o computador trava, a gente pira! Aquela rodinha do Windows que roda, roda, e roda  enquanto atualiza a página, enlouquece! Se visualizou, mas não respondeu o whatsapp, não tá interessado! Próximo!

E assim caminha a humanidade: neurótica, acelerada, impaciente, ansiosa,  com vários encontros “românticos” porém, solitária.

Tudo se resolve em um clique. Você e a tela. A tela e você.

A consulta psiquiátrica a gente faz pelo skype. O tarja preta a gente pede pela internet. E é só postar uma foto das suas pernas estendidas na beira de uma piscina acompanhada de #verão, #sun, #vidaboa #instagood que seu amigos nem vão perceber que você surtou.

PS: caro leitor, se você não sabe o significado de metade das palavras usadas nesse texto, não se preocupe! Isso é apenas um sinal de que você não corre o risco de surtar, como essas últimas gerações alucinadas.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Diagnóstico: saudades da adolescência

Psicólogos britânicos estão sendo orientados a considerar a adolescência como o período que vai até os 25 anos de idade. Li essa manchete há alguns meses na BBC e achei plausível. Não sei bem o que “adolescência” quer dizer, mas é confortável tê-la como respaldo para justificar algumas atitudes. Talvez por isso eu tenha lamentado estar fora dessa definição, mesmo com a extensão dos limites.

Para a psicologia, mesmo a britânica, eu sou adulta. E também não sei direito o que isso quer dizer. Mais responsabilidades? Com certeza. Mais liberdade? Acho que sim. Mas tem confusões e indefinições que não vão embora com a adolescência. E eu começo a desconfiar que elas vão me acompanhar sempre – com alguma alteração na escala de importância.

Há 10 anos uma espinha tinha o dom de acabar com um fim de semana. As espinhas continuam (se isso for sinal de puberdade, serei uma eterna adolescente), mas a gente aprende que a maquiagem certa pode fazer milagres. 

Com o tempo, a gente também se dá conta que nunca foi TÃO gorda como achava que era, que o Henrique da 7ª A não era o cara mais lindo do mundo e que adolescentes são realmente muito dramáticos.

Mas, e quando, no meio dessa reflexão toda, você ainda se identifica com aquela menina de 16 anos? Ou se depara com arrependimentos e frustrações de 10 anos atrás?

A diferença é que as expectativas mudam. As pessoas mudam. Você muda. Por mais que o cenário seja o mesmo e as situações parecidas.

Isso pode ser assustador.

É uma espécie de epifania. De repente você se dá conta que o tempo passou e toda aquela fantasia idealizada na adolescência continua no imaginário. É nessa hora que triunfa a adolescente que se esconde atrás da sua cara de mulher madura. Ela assume o controle por cinco minutos pra te lembrar tudo que para ela seria, e para você não foi.

A mulher madura jura que superou. E é estranho, porque parece ter superado mesmo. Ela não sofre. Mas a adolescente acha tudo aquilo muito esquisito.  “Não era pra gente estar fazendo planos de como será da próxima vez, na próxima chance?”

Arrependimentos não doem quando se é adolescente porque a gente tem a certeza que vai dar tempo de consertar.

A adolescente acha que tem todo tempo do mundo, todas as oportunidades do mundo, o mundo. Mas a mulher adulta sabe que não é bem assim. O tempo passa, as oportunidades também. E o mundo... ah! O mundo é muito grande, é muita ousadia querer tê-lo inteiro.

A adolescente se frustra com esse realismo frio. Acha estranho não ter aquela excitação, aquela ansiedade que deixava o cotidiano mais colorido, que dava ânimo para ler as páginas chatas do meio do livro, tendo a certeza de que o final seria surpreendentemente positivo.

Mas, a mulher adulta já leu esse livro inteiro. Releu. Leu outros bem parecidos nesses 10 anos. Ela sabe que, as vezes, um livro chato é chato mesmo, inclusive o final. Ela se frustrou várias vezes com finais insossos, tristes, previsíveis. E lembra a adolescente que o “viveram felizes para sempre” é coisa de contos de fadas, aqueles que ela deixou de acreditar quando virou adolescente.

A mulher adulta é chata. Controladora. Não perde uma oportunidade de jogar na cara da adolescente como ela é ingênua. A adolescente é sonhadora, romântica, esperançosa e aprendeu, com a criança, que finais felizes podem existir sim – ainda que sejam necessárias algumas adaptações.

É essa adolescente que está achando muito estranha essa vida cheia de números, compromissos, responsabilidades e com pouco sonho. Aquele mesma sensação de quando sumiram as barbies, os cadernos de colorir e os álbuns de figurinha.

A vida adulta não deixa espaço para tardes livres, com canecas de leite condensado com nescau, ouvindo Nirvana ou vendo filme bobo no sofá. Eram nessas tardes que os sonhos cresciam. Eram nessas tardes que a adolescente vislumbrava o futuro, cheio de emoções e de encontros românticos depois da aula de inglês.

Agora, a caneca de leite condensado é calórica demais, Came as you are não faz mais “aquele” sentido, não dá mais tempo de assistir o filme bobo na TV e ela terminou o curso de inglês.

“Então, quando é que a gente sonha na vida adulta?”

Não sei se quem fez essa pergunta foi a adolescente, a mulher ou a criança que, dormindo há algum tempo, acordou no meio da conversa e ficou preocupada ao perceber aquele cenário sem lápis de cor.

Ninguém respondeu.